Boas práticas que inspiram e respeitam o meio ambiente

Os recursos oferecidos pela natureza ao planeta Terra sustentam a sociedade e o modo de vida. Por isso, a responsabilidade socioambiental e o uso racional precisam ser, definitivamente, incorporados pelos cidadãos como um ato de retribuição. A água é tema prioritário por estar diretamente ligada à sobrevivência humana e relevância econômica. Dentro da composição de Comitês de Bacias Hidrográficas, os segmentos representativos como população, usuários de água e poder público se mobilizam e transformam ações em boas práticas de gestão de recursos hídricos.

No Sul de Santa Catarina, o Comitê da Bacia do Rio Urussanga acompanha e apoia o desenvolvimento de ações executadas por organizações membros de diferentes segmentos. Em usuários de água, destaque para a indústria cerâmica, enquanto nos órgãos de administração estadual e federal se sobressaem atividades de instituições voltadas à agricultura. Já como população da bacia está em evidência o trabalho desenvolvido pelas fundações de meio ambiente dos municípios inseridos no território da bacia hidrográfica.

INDÚSTRIA CERÂMICA APLICA REUSO

Como matéria-prima, a água é capaz de transformar a economia mundial. As nove empresas associadas que integram o Sindicado das Indústrias de Cerâmica (Sindeceram), de Criciúma, demonstram preocupação com este recurso natural.

A Ceusa Revestimentos Cerâmicos produz porcelanatos e azulejos para o mercado nacional e internacional, em duas unidades localizadas na cidade de Urussanga. Registradas no cadastro de usuários de recursos hídricos de Santa Catarina, as duas unidades consomem 9.269 m³/mês de água subterrânea, além da captação pluvial utilizada no processo produtivo, a fim de reduzir o consumo de água bruta.

De acordo com profissionais da empresa, toda água utilizada no processo industrial é encaminhada para o processo de tratamento de efluente, para ser reaproveitado. Outra iniciativa é a utilização de filtros de manga no tratamento de emissões atmosféricas com o intuito de evitar o uso de água em excesso, empregado na tecnologia de lavadores de gases. A modernização dos processos de retífica de peças especiais aplica tecnologia “a seco” para redução do consumo de água bruta.

Na Ceusa, a adoção de práticas e melhorias no processo para otimização e reaproveitamento dos recursos hídricos no beneficiamento e formulação de revestimentos cerâmicos são ações de gestão ambiental reconhecidas por de prêmios relacionados à gestão ambiental, como “Onda Verde – Expressão Ecologia” e “Troféu Fritz Muller” concebidos pelo órgão ambiental de Santa Catarina (IMA).

Já no município de Cocal do Sul, a Eliane Revestimentos Cerâmicos elabora placas cerâmicas e porcelanatos que são comercializados nos mercados interno e externo. As unidades usam captação de água superficial e subterrânea, a partir de protocolo de pedido de outorga de direito de uso recursos hídricos. A prioridade é o reuso da água e a identificação de perdas. Cerca de 80% do efluente tratado na Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) é reutilizado. A empresa também possui monitoramento online dos principais fluxos de água, possibilitando a identificação de perdas e excessos. Os indicadores ambientais relacionados ao consumo e reaproveitamento de água e efluentes já receberam reconhecimento com o Troféu Onda Verde, do Prêmio Expressão de Ecologia.

AGRICULTURA UTILIZA NOVAS TÉCNICAS

Os agricultores vivenciam na prática o respeito pelo uso da água. Técnicas de racionalização para irrigação são incentivadas e promovidas pela Epagri em diferentes regiões de Santa Catarina. Segundo o engenheiro agrônomo Douglas George de Oliveira, coordenador do projeto “Grãos no Sul Catarinense”, projetos nesta área são relacionados aos cultivos de arroz, frutas e hortaliças.

“Na rizicultura ocorre a reserva de água das chuvas em açudes, bem como o reforço das taipas, o que promove a armazenagem diretamente na quadra de arroz. Além disso é feita a reutilização da água dentro da arrozeira e a redução das drenagens. Já com frutas e hortaliças é adotada a irrigação localizada, como gotejamento e microaspersão, e o uso de cobertura vegetal sobre o solo para reduzir a evaporação. Também ocorre o estímulo ao uso de práticas de conservação de solo para armazenar e disponibilizar água para os cultivos”, explica.

Para o engenheiro agrônomo, as iniciativas trazem benefícios aos agricultores, à sociedade e ao meio ambiente. “A autonomia e segurança aos agricultores e suas lavouras e pastagens, torna-os menos suscetíveis a eventos de estiagem, bem como o aumento da produtividade das lavouras irrigadas”, frisa.

PROTEÇÃO DE MANANCIAIS COMO PREMISSA

“A gestão das águas é também de interesse local, fundamentado na importância da própria sobrevivência e na qualidade de vida da população”, afirma o biólogo Ricardo Garcia da Silva, que atua na Fundação Municipal do Meio Ambiente de Içara. Segundo Ricardo, as fundações têm como finalidade a implantação, fiscalização e administração de áreas legalmente protegidas, visando à proteção de mananciais, ecossistemas naturais, flora e fauna, recursos genéticos, e outros bens de interesse ambiental.

Dentre as boas práticas que elas desenvolvem estão o estudo das bacias hidrográficas para identificação de nascentes e cursos d´água, a fim de que sejam mantidas as faixas de preservação permanente ou recuperadas com a implantação de novos empreendimentos. As fundações municipais de meio ambiente também buscam incentivar o reuso de água da chuva e colaborar tecnicamente na conservação de áreas de vegetação declaradas de preservação permanente.

Os técnicos das fundações de meio ambiente participam de fiscalizações de atividades utilizadoras de recursos ambientais, principalmente as que envolvem os recursos hídricos, tanto na captação e destinação final de efluentes, quanto de quaisquer outras substâncias perigosas para controlar o uso, armazenagem, transporte e destinação final, e garantir medidas de proteção às populações envolvidas. Para a conscientização política à proteção do meio ambiente são criadas ações permanentes de educação ambiental voltada aos recursos hídricos para assessorar a Administração Municipal. Junto à população local são criados programas que visem à conscientização do uso consciente dos recursos ambientais, em especial a água, destacando as políticas públicas de saneamento, com rigorosa fiscalização sobre o lançamento de esgoto e efluentes, de lixo nas matas, lagos e rios”, pontua.

Comunicação: Comitê Rio Urussanga-SC

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