BH retoma aulas presenciais para crianças, mas recomenda ensino remoto

A partir de hoje segunda-feira (26/4), as aulas presenciais serão retomadas para crianças de 0 a 5 anos em Belo Horizonte. Mas para o infectologista que integra o Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus da Prefeitura de Belo Horizonte, Unaí Tupinambásos pais que puderem manter os filhos no ensino remoto devem adiar a volta às escolas.

“Estamos mirando mais a volta daquele segmento mais vulnerabilizado da sociedade, que está sofrendo muito, inclusive passando fome. Quando a gente flexibilizou, com os números em queda, ainda não está no ideal e o vírus está circulando de forma muito intensa ainda. Estamos com uma média de 400 casos por 100 mil habitantes, que é muito alta. Então, quando a gente fala do retorno às aulas, é mais apontando para esse segmento de vulnerabilidade”, frisou o infectologista.

Ele ressalta que, se possível, é melhor que os pais mantenham os filhos em casa, com ensino remoto. “A gente sabe que tem muitas crianças sofrendo, mas aquelas da periferia estão sofrendo mais. Então eu recomendo que se tiver condições, fique em casa, espera um pouco que a vacina está chegando. A gente tem que ampliar a cobertura da equipe de profissionais das escolas, professores, trabalhadores envolvidos ainda”, afirmou.

Unaí Tupinambás, médico infectologista do Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus da Prefeitura de Belo Horizonte© Tulio Santos/EM/D.A Press Unaí Tupinambás, médico infectologista do Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus da Prefeitura de Belo Horizonte

Segundo Unaí, caso não seja possível manter as crianças em casa, se certificar de analisar o protocolo adotado pelas escolas. “A gente entende o sofrimento dos pais e das crianças, então caso faça a opção de ir, certifique-se que aquela escola segue todo protocolo de segurança, tenha buscativo de casos, que esteja testando as pessoas com suspeita”, disse. “Ter um autocuidado é muito importante. O que é isso? Se, por exemplo, na minha casa tiver alguém com COVID, então fico de quarentena e não vou à escola. Ou então observar os sintomas- estou com dor de cabeça, também não vou porque posso estar com COVID. Autocuidado de isolamento, quarentena”, alerta.

O médico infectologista também reforça que as escolas devam ter atenção nos alunos. “Se for detectado surtos precocemente, não será preciso fechar toda escola. Numa bolha, se der positivo em uma pessoa, então aquela bolha vai ficar isolada. Mas se tiver dois casos em bolhas diferentes, a escola toda vai ter que ser fechada”, pontua.

Unaí relembra que em julho do ano passado, ele defendia um retorno às aulas no momento ideal se ainda não tivessem a vacina. “Naquela época a gente era um dos poucos que defendia isso, mas agora não justifica voltar se a vacina tá logo ali. Nesse cenário que a gente tá tendo de 400 casos a cada 100 mil habitantes, num abril mais letal da pandemia, eu acho que corremos o risco de pôr tudo a perder”, destaca.

Ele também acredita que o ideal era que pudesse ser feito um lockdown de 21 dias, mas com as pessoas recebendo o auxílio emergencial. “Belo Horizonte estava fechado há mais de 40 dias. A crise econômica, a fome tava abraçando em todos os setores. Então a gente achou que poderia flexibilizar por conta disso, mas o ideal era que as pessoas pudessem ficar em casa recebendo o auxílio emergencial, não esse de fome que é de R$ 200, mas o de R$ 600”, avaliou.

A Secretaria Municipal de Educação definiu que a volta às aulas em BH será feita em etapas, seguindo protocolos sanitários para garantir a segurança de alunos, professores e colaboradores das instituições. O avanço em cada estágio vai depender dos indicadores da pandemia.

Para entender todo processo de retomada ao ensino presencial, acesse a reportagem completa do Estado de Minas.

Reportagem: Natasha Werneck/Estado de Minas

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