Argentinos vão às ruas contra a legalização do aborto

Manifestantes foram às ruas na Argentina neste sábado (28.nov.2020) para protestar contra o projeto de lei apresentado pelo presidente Alberto Fernández para legalizar o aborto.

As marchas foram organizadas em centenas de cidades por instituições religiosas –como a igrejas católicas e evangélicas– e grupos civis auto denominados “pró-vida”. Na capital Buenos Aires, os atos se concentraram em frente ao Congresso argentino, que deve iniciar a discussão do texto na próxima semana.

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Esta é a 2ª aglomeração pública no país nesta semana. Na 5ª feira (26.nov), o velório do ex-jogador Diego Maradona reuniu cerca de 1 milhão de pessoas nas proximidades da Casa Rosada, sede do governo. Na ocasião, muitas pessoas compareceram sem máscaras. Nos protestos deste sábado (28.nov), os organizadores disseram que reforçaram os pedidos para que os manifestantes se protegessem e evitassem o contato.

Assim como no Brasil, a maioria dos manifestantes argentinos com viés conservador vestem as cores do país nas manifestações. Além das camisas da seleção e das bandeiras, também exibiram cartazes dizendo que 1 feto representa uma vida.

Segundo os próprios, a visão antiaborto é compartilhada pela maioria da população. Um dos organizadores chegou a citar que 70% do país é contra a legalização.

Entenda

O presidente argentino, Alberto Fernández, enviou ao Congresso 1 projeto de lei para legalizar o aborto no país em 17 de novembro. “Sempre foi meu compromisso que o Estado acompanhe todas as mulheres grávidas em seus projetos de maternidade e cuide da vida e saúde daquelas que decidem interromper sua gravidez“, disse.

Ele afirmou que a criminalização do procedimento não serviu de nada e “só aumentou os abortos clandestinos a números preocupantes”“Todos os anos cerca de 38.000 mulheres são hospitalizadas por abortos e desde o retorno da democracia, mais de 3.000 mulheres morreram por causa deles”, disse.

De acordo com ele, a legalização do aborto “salva a vida das mulheres e preserva suas capacidades reprodutivas, muitas vezes afetada por esses abortos inseguros”. Disse que a regulamentação não aumenta ou promove o procedimento, “só resolve 1 problema que afeta a saúde pública”. 

O projeto de Fernández é o 9º do tipo no Congresso. Contudo, é a 1ª vez que o texto parte do Executivo. Nas outras 8 oportunidades, apenas a última avançou dentro do Legislativo. Em 2018, a Câmara aprovou o projeto em questão, mas os senadores o barraram.

A Argentina tem maioria católica e é o país natal do papa Francisco, chefe da igreja católica. Atualmente, a legislação local permite a interrupção da gravidez apenas em casos de estupro ou de risco de vida à mãe. É similar ao Brasil.

Reportagem: Ighor Nobrega/PODER 360

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