Argentina condena nomeação de oficiais iranianos acusados de ataque a centro judaico

A Argentina condenou ontem quarta-feira (25) a aprovação de Ahmad Vahidi como ministro do Interior do Irã e a nomeação de Moshsen Rezai como vice-presidente de Assuntos Econômicos, ambos acusados de participar do ataque contra o centro judaico da AMIA que causou 85 mortes em 1994.

“A Argentina expressa sua mais veemente condenação à aprovação de Ahmad Vahidi e à nomeação de Mohsen Rezai para cargos ministeriais no Irã”, declarou um comunicado da chancelaria argentina, que descreveu as nomeações como “uma afronta à justiça argentina e às vítimas do violento ataque terrorista contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA)” em Buenos Aires.

No dia 11 de agosto, a Argentina já havia repudiado a nomeação de Vahidi, cujo cargo foi confirmado nesta quarta-feira pelo Parlamento iraniano.

A chancelaria argentina lembrou que “como Vahidi, Rezai é alvo de denúncia da Justiça argentina por ter tido participação fundamental na tomada de decisões e no planejamento do atentado cometido em 18 de julho de 1994 no prédio da AMIA e um mandado de prisão internacional da Interpol pesa sobre ele.”

“O governo argentino exige mais uma vez do governo do Irã que coopere integralmente com a justiça argentina, permitindo que as pessoas acusadas de participar do atentado contra a AMIA sejam julgadas pelos tribunais competentes” do país sul-americano, acrescentou o documento.

Ninguém foi preso pelo atentado ocorrido em Buenos Aires há 27 anos.

O ataque à bomba contra a AMIA foi atribuído a altos funcionários iranianos, liderados pelo então presidente Ali Rafsanjani, e ao movimento xiita libanês Hezbollah, uma hipótese apoiada pela liderança judaica argentina e por Israel.

Mas a investigação judicial se viu envolvida em denúncias de desvio de pistas, condenações por ocultação e processos anulados.

O Irã negou qualquer envolvimento no ataque e sempre se recusou a permitir que seus oficiais fossem investigados.

Argentina e Irã mantêm relações diplomáticas a nível econômico.

Um memorando de entendimento com o Irã promovido em 2012 pela então presidente e atual vice-presidente, Cristina Kirchner (2007-2015), buscava, segundo seus autores, que os acusados pudessem ser investigados fora da Argentina. Foi aprovado pelo Congresso argentino, mas não pelo Parlamento iraniano.

Posteriormente, na Argentina, foi aberto um processo judicial para esse memorando que foi investigado como um caso de encobrimento, com Kirchner como uma das principais acusadas. Em audiência recente, a ex-presidente qualificou o caso de “um disparate e um escândalo judicial e político” e pediu sua anulação.

Antes do ataque à AMIA, em 1992, a embaixada de Israel em Buenos Aires foi alvo de outro ataque, com um saldo de 29 mortos e 200 feridos, que também ficou impune.

A Argentina tem a maior comunidade judaica da América Latina, com cerca de 300.000 membros.

Reportagem: ls/gm/am

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