Alívio para os exportadores de alumínio

O governo brasileiro e os produtores nacionais receberam com alívio a decisão do governo dos Estados Unidos de encerrar a investigação de subsídios sobre as exportações brasileiras de alumínio sem impor sobretaxas ou medidas que pudessem dificultar a entrada do produto no mercado norte-americano. Mas ainda está em curso outra investigação do Departamento de Comércio dos EUA sobre prática de dumping (venda de produtos a preços inferiores aos custos de produção com o objetivo de eliminar concorrentes).

Para a indústria brasileira de alumínio o quadro é, sem dúvida, bem menos preocupante do que aquele que se observava desde outubro do ano passado, quando o governo de Washington, então chefiado pelo presidente Donald Trump, anunciou a imposição de novas tarifas de importação de folhas de alumínio de 18 países, entre eles o Brasil. Na ocasião, o então secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, disse que a medida restritiva se devia a um estudo preliminar que concluiu que esses países exportavam seus bens a preços inferiores aos valores de mercado, prejudicando o produtor americano.

No caso do alumínio brasileiro, a alíquota de importação dos EUA passaria de 15% para a faixa de 49,48% a 136,78%, o que, na avaliação dos produtores, inviabilizaria as exportações do País. Por isso, as vendas externas foram praticamente suspensas. Em dezembro do ano passado, conhecidos os resultados das eleições presidenciais americanas, com a vitória de Joe Biden sobre Trump, o presidente executivo da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), Milton Rego, dizia que pelo menos seis meses de exportação haviam se perdido.

Os Estados Unidos são o principal mercado internacional do alumínio brasileiro. Segundo nota conjunta dos Ministérios das Relações Exteriores e da Economia, as importações americanas de aço brasileiro alcançaram US$ 104 milhões em 2019, ou 40% do total do produto exportado pelo País. Com a recuperação da atividade econômica interna, o mercado doméstico voltou a comprar mais, compensando, para os produtores, a queda das exportações.

A decisão de encerramento da investigação sobre subsídios vem nos primeiros meses do governo de Joe Biden, que, esperam os produtores brasileiros, deve ser menos protecionista do que o de Trump.

Reportagem: Notas e Informações do ESTADÃO

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