A presença do tráfico internacional de marfim de elefantes no Brasil

 No último dia 3 de maio, a Polícia Federal de São Paulo saiu às ruas para cumprir mandados de busca e apreensão. Os alvos da Operação Airâvata (nome de um deus elefanta na mitologia hindu) eram investigados por tráfico internacional de marfim de elefante. A polícia encontrou mais de 200 objetos de marfim e cerca de 35 fósseis em uma loja de antiguidades.

A ação da PF aconteceu em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Polícia Ambiental do Estado de São Paulo. Essa operação foi um desdobramento da Operação Thunder, realizada no ano passado.

O Ibama identificou entre as peças encontradas aquelas que são dentes de animais silvestres,como o marfim de elefantes. Não foi encontrada nenhuma peça bruta, mas objetos como colares, pulseiras, pingentes e estátuas. As autoridades estimam que o valor agregado das peças encontradas ultrapasse os R$ 500 mil.

O Brasil é signatário de um tratado internacional que veda a comercialização de animais que estão em extinção. Nesse caso, elefantes asiáticos e africanos.

Por conta do tráfico, peças que utilizam marfim precisam ser acompanhadas de uma documentação específica que comprove que o material utilizado tem origem regularizada. Nenhuma das peças encontradas pela PF possuíam a papelada exigida.

O enfrentamento ao tráfico de marfim é uma ação ambiental de extrema importância. De acordo com o chefe da Delegacia de Repressão de Crimes contra o meio ambiente da Polícia Federal, Sebastião Pujol, o comércio ilegal de peças que utilizam o dente do elefante acarreta no extermínios de centenas de animais por dia que visam o lucro com a venda de peças.

O material apreendido em São Paulo: brincos, estátuas e colares de marfim.

O Ibama autuou os infratores em R$ 5 mil por peça encontrada. A operação teve como alvo um estabelecimento comercial e uma residência de uma mesma pessoa, um comerciante que tem uma loja de comércio de pedras semi preciosas e antiguidades em geral. Além disso, o homem investigado exerce uma atividade na área educacional. Não houve prisão em flagrante.

Durante a coletiva de imprensa, ao ser perguntado se os produtos estavam sendo comercializados como se fosse algo “normal”, o delegado deu a entender que sim. “Seria bom que as pessoas tivessem essa consciência de que o consumidor final está colaborando diretamente com uma cadeia de comércio que resulta do abate de animais que estão em extinção, que são os elefantes”, diz.

O delegado lembrou que, na primeira fase da investigação, foram encontrados materiais que utilizavam marfim em sua confecção em uma feira de artesanato no vão livre do Museu de Arte Moderna de São Paulo (Masp). As pessoas ali encontradas estavam diretamente ligadas ao comerciante algo da ação Airâvata.

Redação Hypeness

Fotos: Getty Images

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