A cada dia, três mulheres sofrem importunação sexual no Rio

Diagnosticada com depressão durante a pandemia, a advogada Mariana Maduro, 33 anos, foi orientada por um psiquiatra a voltar a praticar exercícios ao ar livre. E assim o fez. Acabou aderindo à acroyoga, modalidade que mescla acrobacias com a prática indiana milenar, o que lhe renovou os ânimos. Já estava se sentindo bem melhor quando, num domingo de agosto, foi alvo de uma invasão brutal: enquanto se exercitava no gramado à beira da Lagoa Rodrigo de Freitas, era filmada sem autorização.

Nas imagens um homem fazia gestos sexuais ao observá-la. Horas depois, o registro já circulava em aplicativos de mensagens e nas redes sociais. Avisada por um amigo, Mariana teve uma crise de pânico. Começou a passar mal, vomitava sem parar. Os comentários sobre o tal vídeo só pioravam seu estado. Diziam que ela teria “pedido pela situação”, já que usava roupas de ginástica coladas ao corpo.

“Quase dois meses depois, mal saio de casa, não consigo mais me exercitar e a minha medicação para ansiedade foi alterada três vezes. Fico me perguntando: o que poderia ter feito para me proteger?”, desabafa ela, vítima de um crime que atinge todos os dias, em média, três cariocas – e cresce.

A violência da qual Mariana foi alvo chama-se importunação sexual, tipificada como crime apenas em setembro de 2018. Trata-se de um ato libidinoso praticado sem consentimento, com o objetivo de satisfazer o próprio desejo ou o de outros.

Antes da lei, era considerado uma contravenção de menor potencial ofensivo. Agora, cabe prisão em flagrante do autor do delito, e o tempo de reclusão varia de um a cinco anos. Os dois homens envolvidos no caso da advogada – cujo vídeo foi retirado das redes – estão sendo processados pelo Ministério Público do Rio, e ela também move na Justiça uma ação civil.

Foi justamente com base em denúncias como essa que o Instituto de Segurança Pública (ISP), vinculado ao governo do estado, conseguiu traçar pela primeira vez o perfil das vítimas de importunação sexual na cidade. Metade se declara branca, 34%, pardas e 14%, negras.

Nesse universo, 43% têm entre 18 e 29 anos e a maioria não conhecia o algoz (veja no quadro abaixo) – o que diferencia a importunação do assédio sexual, em que o autor se vale de uma posição de superioridade em relação à vítima para praticar a violência.

Esta informação é da VEJA do Rio de Janeiro/Marcela Capobianco

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

70 milhões de animais devem ser vacinados contra febre aftosa em novembro

A segunda etapa da vacinação contra a febre aftosa começa no próximo dia 3 de novembro. Conforme o Calendário Nacional de Vacinação 2020 a...

Criciúma | Equipe do Colégio Satc se classifica para a Olimpíada Brasileira de Robótica

Uma conquista e tanto para quatro adolescentes do Colégio Satc. Matheus Carminatti Pacheco, Brendon Cordova Silveira, Gabriel Maurilio Teixeira e Lucas Pavesi da Silva...

Moradora de Tubarão perde R$ 10 mil em golpe

Uma moradora de Tubarão perdeu cerca de R$ 10 mil após cair no golpe do cartão de crédito, que tem se tornado cada vez...

Santa Catarina tem a menor prevalência de brucelose animal do Brasil

Destaque internacional no cuidado com a saúde animal, Santa Catarina conquista mais um título: o estado tem a menor prevalência de brucelose animal do...