31 de maio dia “Mundial sem Tabaco”, futuro dos jovens ameaçado pelo vício

Os jovens estão correndo grande risco e nem sabem muito bem as consequências no futuro – nem tão longe – do aumento do uso de cigarros eletrônicos. “O grande problema do cigarro eletrônico é que as alterações pulmonares dele se dão muito precocemente. O que um cigarro comum leva de 10 a 20 anos para provocar, o eletrônico causa em 5 anos, com alterações irreversíveis no pulmão que são comparadas com as que vemos em idosos que fumam há mais de 30 anos”. O alerta é do cirurgião de cabeça e pescoço Jefferson Moreira de Medeiros, um dos vice-presidentes da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, e é bastante importante para ser destacado no Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio.

A campanha desse ano é focada nos jovens, com o objetivo de chamar atenção para as táticas que a indústria do tabaco utiliza para atrair as novas gerações. Uma dessas táticas, destaca Medeiros, é a adição de sabores. “O cigarro tem um gosto mais forte; eles colocam sabor de menta, canela e outros que agradam aos jovens”. Até trabalham a elegância do vaporizador, todos disfarces para a indústria do tabaco continuar a se promover. Eles viram o aumento do consumo de narguilé por pessoas jovens e decidiram investir no cigarro eletrônico”, ressalta. “Eles usaram esse nome para tentar minimizar os grandes males que pode provocar, e nossa juventude passa a acreditar que é menos maléfico ou até que não faça mal”.

Além de afetar o pulmão, o cigarro eletrônico, assim como o cigarro comum, pode ainda provocar câncer de boca, cabeça e pescoço. “Nossa boca não está acostumada a essa temperatura do vaporizador e do cigarro e com o tempo leva a alterações que podem desenvolver tumores nos adolescentes”.

O tabagismo é o principal fator de risco para os cânceres de boca e garganta. O Instituto Nacional de Câncer – INCA estima que para o triênio 2020-2022 haverá, por ano, 6.470 novos casos de câncer de laringe em homens e 1.180 em mulheres.

“Comecei a fumar muito jovem, na minha época não falavam dos males do cigarro, era sinônimo de poder, maturidade, status social. Lembro que todas as meninas acham lindo demais o cavaleiro daquela marca famosa. Anos depois ele mesmo morreu de câncer”, relata Melissa Ribeiro, sobrevivente de câncer de laringe e presidente voluntária na ACBG Brasil – Associação de Câncer de Boca e Garganta. “Hoje lamento muito ter feito uso do tabaco e dedico meus dias a ajudar pacientes de câncer de cabeça e pescoço, já que muitos perderam a voz para cigarro”, ressalta.

O cirurgião, que também ministra aulas na Universidade Estadual do Amazonas, revela que chama atenção nessa geração o uso indiscriminado da maconha. “É um dado alarmante. Não conseguimos mensurar porque é uma droga ilícita, mas percebemos que o uso está aumentando. Antigamente tínhamos o estereótipo do usuário, que era chamado de maconheiro. Hoje em dia temos bons alunos, de classe média alta, que são usuários. Eles usam de forma recreativa, mas as complicações virão mais tarde”.

Para quem quer deixar o vício ou evitar utilizar tabaco, Medeiros dá dicas: “Procure uma boa alimentação, faça exercícios físicos, coisas que deem longevidade. Estamos ganhando muitos anos de vida e queremos que esses anos sejam vividos com qualidade e não com sequelas, doenças, com estigmas após um câncer ou tratamento que vai deixar mutilado para o resto da vida”.

O que há por trás do hábito de fumar?

Muitos fumantes costumam recorrer ao cigarro por motivos de estresse, tristeza, ansiedade e solidão. Em contrapartida, também é utilizado em momentos positivos, ao comemorar ou vivenciar uma situação que resulta em felicidade. Diversos aspectos psicológicos e comportamentais estão associados ao hábito de fumar, como explica a psicóloga Bruna Hertzog Bridi, que atuou coordenando dois grupos de apoio na dependência química no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas III Novo Amanhã (CAPS AD III) de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul.

Entre os aspectos comportamentais, destaca os hábitos cotidianos, como fumar depois das refeições, ao consumir bebidas alcoólicas, antes e ao término de atividades, entre outras situações. “O fumo também é frequentemente associado como facilitador de interações sociais, para preencher algum vazio, relaxar e apaziguar a ansiedade. Porém, relacionar hábitos e pensamentos ao comportamento de fumar torna-se um ciclo vicioso”, comenta. “Em relação aos adolescentes, muitos entram no vício para se sentirem inseridos a um determinado grupo, em busca de sua identidade social”.

Bruna enfatiza que o apoio da família e de amigos é essencial para tratamento deste vício. “Nos grupos, víamos familiares que não se importavam com o tratamento e não compareciam às reuniões. Problemas familiares também eram um fator para o agravo do vício”.

A psicóloga ressalta que quando a pessoa possui foco no tratamento, apoio da família e de amigos, os resultados são melhores. Além dos tratamentos farmacológicos, Bruna cita o tratamento psicológico com um enfoque cognitivo-comportamental, identificando crenças, emoções e reações relacionados ao hábito de fumar. “Há, por exemplo, a crença de que para conseguir lidar com situações sociais de maneira tranquila é preciso acender um cigarro”.

Nesses casos, explica, será preciso avaliar as crenças – relacionadas a atitudes, regras e pressupostos; os pensamentos automáticos: “Se eu não fumar, vou acabar ficando ansioso(a) durante algum evento social”; e os comportamentos que o indivíduo possui, decorrentes destas crenças e de seus pensamentos. “Com técnicas específicas, é possível identificar o que leva a pessoa a alimentar o seu vício”.

Colaboração / Viviane Pereira

 

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