17 de Julho – Dia de Proteção às Florestas

Áreas naturais protegidas oferecem serviços essenciais à humanidade. Especialistas ressaltam a importância das florestas para a manutenção da vida no planeta. No Brasil, situação das florestas é preocupante em todos os biomas.

Amanhã sábado, dia 17 de julho, comemora-se no Brasil o Dia de Proteção às Florestas, data criada para alertar sobre o risco de desaparecimento das florestas nos diferentes biomas do país, que têm no desmatamento a sua maior ameaça. De acordo com dados do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil, elaborado pelo projeto MapBiomas, 13,8 mil quilômetros quadrados foram desmatados no país em 2020, 99% de forma ilegal, um crescimento de 14% em comparação a 2019. O relatório mostra que o desmatamento cresceu em todos os biomas, sendo a Amazônia (60%) e o Cerrado (31%) as regiões com maior porcentual de áreas desmatadas. Caatinga (4,4%), Mata Atlântica (1,1%), Pantanal (1,1%) e Pampa (0,1%) também sofreram com o desmatamento no último ano.

Para Cecília Herzog, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), professora e pesquisadora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), a importância das florestas pode ser considerada por diferentes ângulos, desde o nível macro, por sua relação direta com as mudanças climáticas, até no aspecto regional ou local, observado na saúde e qualidade de vida da população nos centros urbanos.

“As florestas nos fornecem serviços ecossistêmicos de valor inestimável. Desde a regulação do clima e das chuvas necessárias para garantir as atividades econômicas diversas, como a agricultura, passando pelo fornecimento de água e energia para a população, até a sensação de bem-estar que a natureza proporciona, mesmo por meio de ilhas verdes nas selvas de pedras”, ressalta a pesquisadora.

A professora observa que o Dia de Proteção às Florestas deve ser encarado como um alerta para a sociedade brasileira. “Vivemos um momento de enorme gravidade, com ameaças à natureza em todos os nossos biomas e a possibilidade de perda irreversível não apenas para o Brasil, mas para toda a humanidade. Precisamos entender que o desmatamento nos diz respeito mesmo que estejamos a milhares de quilômetros da Amazônia, pois já sentimos o desequilíbrio do clima por causa da destruição das florestas e, infelizmente, isso tende a piorar se não revertermos esse ciclo de degradação”, salienta Cecília.

A especialista faz questão de destacar também os serviços ecossistêmicos fornecidos pela natureza em áreas urbanas, chamando a atenção para a necessidade de conservar espaços verdes e reflorestar áreas dentro das cidades e do seu entorno. “Florestas em regiões urbanizadas, parques e corredores verdes preservam a vida de muitas espécies, inclusive a humana, reduzem ilhas de calor, garantem captação de água, contribuem para uma redução do impacto de enchentes, melhoram a qualidade do ar, reduzem ruídos e ainda proporcionam serviços ecossistêmicos culturais, favorecendo atividades ligadas ao lazer, ao bem-estar e à qualidade de vida, como ciclismo, caminhadas, entre outras”, explica.

Condição para uma vida saudável

A gerente sênior de Conservação da Natureza da Fundação Grupo Boticário, Leide Takahashi, também membro da RECN, acrescenta que a proteção às florestas é uma condição para uma vida saudável no planeta, pois, em ambientes naturais conservados, a vegetação, mamíferos, répteis, aves e insetos se autorregulam. “O desmatamento e as alterações drásticas no uso do solo, somados à expansão desordenada das áreas urbanas, rompem o equilíbrio natural e fazem com que parte dos animais migrem para as cidades. No caso dos mosquitos e outros insetos, que são vetores de muitas doenças, a crise climática e o aumento da temperatura também trouxeram condições favoráveis à reprodução desses indivíduos. Nas cidades, eles passam a se alimentar também do sangue das pessoas, favorecendo a transmissão de enfermidades”, explica, lembrando ainda que a atual pandemia do coronavírus é um exemplo de como esse desequilíbrio traz graves consequências à vida humana.

A Fundação, que atua há mais de 30 anos em diversas frentes em prol da conservação da natureza, é responsável por manter duas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN): a Reserva Natural Salto Morato, localizada em Guaraqueçaba (PR), na Grande Reserva Mata Atlântica; e a Reserva Natural Serra do Tombador, em Cavalcante (GO), no coração do Cerrado. Ao todo, a instituição conserva aproximadamente 110 quilômetros quadrados de áreas naturais, que representam espaço equivalente a 70 Parques do Ibirapuera, e contribuem para a preservação integral de ecossistemas, proporcionando a diversas espécies a oportunidade de continuar vivendo em seu habitat natural.

Sobre a Rede de Especialistas
A Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) reúne cerca de 80 profissionais de todas as regiões do Brasil e alguns do exterior que trazem ao trabalho que desenvolvem a importância da conservação da natureza e da proteção da biodiversidade. São juristas, urbanistas, biólogos, engenheiros, ambientalistas, cientistas, professores universitários – de referência nacional e internacional – que se voluntariaram para serem porta-vozes da natureza, dando entrevistas, trazendo novas perspectivas, gerando conteúdo e enriquecendo informações de reportagens das mais diversas editorias. Criada em 2014, a Rede é uma iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Os pronunciamentos e artigos dos membros da Rede refletem exclusivamente a opinião dos respectivos autores. Acesse o Guia de Fontes em www.fundacaogrupoboticario.org.br

Sobre a Fundação Grupo Boticário

Com 30 anos de história, a Fundação Grupo Boticário é uma das principais fundações empresariais do Brasil que atuam para proteger a natureza brasileira. A instituição atua para que a conservação da biodiversidade seja priorizada nos negócios e em políticas públicas e apoia ações que aproximem diferentes atores e mecanismos em busca de soluções para os principais desafios ambientais, sociais e econômicos. Protege duas áreas de Mata Atlântica e Cerrado – os biomas mais ameaçados do Brasil –, somando 11 mil hectares, o equivalente a 70 Parques do Ibirapuera. Com mais de 1,2 milhão de seguidores nas redes sociais, busca também aproximar a natureza do cotidiano das pessoas. A Fundação é fruto da inspiração de Miguel Krigsner, fundador de O Boticário e atual presidente do Conselho de Administração do Grupo Boticário. A instituição foi criada em 1990, dois anos antes da Rio-92 ou Cúpula da Terra, evento que foi um marco para a conservação ambiental mundial.

Informações para a imprensa: Tamer Comunicação

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